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Social Notícias 97 Notícias publicadas
       
Publicada a 25 de novembro de 2017 às 17:40h
Instituições foram porto de abrigo para as comunidades locais. A capilaridade do Setor Social Solidário coloca, invariavelmente, as IPSS no olho do furacão. Foi assim com a recente crise económico-financeira que Portugal viveu, com as instituições a serem a almofada social de milhares de portugueses, e, mais recentemente, foi assim com a tragédia dos incêndios de 15 de outubro na região Centro do País, tal como já acontecera em junho aquando do fogo de Pedrógão Grande. Porto de abrigo de muitas comunidades cercadas pelo fogo, as IPSS foram e têm sido essenciais no apoio a quem foi afetado pelos incêndios. Se em junho a desgraça caiu, essencialmente, sobre três concelhos (Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra), a 15 de outubro o número de concelhos severamente afetados multiplicou-se bastante. Mais de 25 municípios registaram habitações destruídas. Um dia em que as autoridades registaram mais de 500 fogos, numa área que se estendeu do distrito de Viseu até ao rio Tejo, sem esquecer que também lavraram dramaticamente em Monção e em Braga, num total de cerca de 200 mil hectares de área ardida. Um dia devastador, em que o lume tudo dizimou à sua passagem, matando 45 pessoas, ferindo cerca de 70, desalojando muitas mais, matando e ferindo inúmeras cabeças de gado, reduzindo a cinzas habitações, fábricas, aglomerados industriais, florestas, campos agrícolas, vinhas, colmeias, etc.. O fogo florestal transmutou-se em fogo urbano e nada ou pouco escapou à sua passagem. Esteve literalmente meio País a arder naquele que é considerado o pior dia do ano em matéria de incêndios e, muito provavelmente, de que há memória entre os vivos. Viajar, duas semanas depois, pelos territórios afetados pelos fogos de 15 de outubro é mergulhar num território pintado de negro, de aglomerados habitacionais totalmente dizimados, em que só as paredes exteriores dos edifícios se mantêm de pé, ou de ruas salpicadas de casas totalmente ardidas lado-a-lado com outras que nada sofreram. O negro é uma presença constante, sarapintado aqui e ali por pequenos tufos verdes. Pequenas áreas que o fogo não consumiu, mas também pedaços de vida a brotarem da terra, ou não fosse a natureza uma força inquebrantável. Os terrenos agrícolas estão sem vida aparente e também eles negros e cobertos de cinza, vinhedos destruídos, pastagens que a única coisa que têm para oferecer ao gado é… cinza. Inúmeras unidades fabris destruídas, o que cria um grande e grave problema em termos de emprego, em regiões em que a fixação de população há muito é um problema. À enorme tragédia que se registou a 15 de outubro e dias seguintes soma-se o drama do futuro, a nível humano, natural e económico. A intensidade e severidade dos incêndios, sem esquecer o denso e intoxicante fumo que libertavam, obrigaram à evacuação de localidades, ao realojamento das populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Cobrindo grande parte do território nacional, o mais natural é que as IPSS também elas se vissem a braços com uma situação de exceção, fosse porque o fogo também as afetava, fosse porque serviram de porto de abrigo às populações cujas comunidades elas servem ou, pelo espírito solidário que todas une, se disponibilizaram desde a primeira hora para ajudar no que fosse preciso. Enquanto o fogo lavrava no concelho de Seia, o Centro Paroquial de Seia acolhia utentes do Centro Social e Paroquial de Sazes da Beira, que por precaução foi evacuado, em especial devido ao intenso fumo. Para a instituição da cidade foram os utentes mais dependentes de Sazes da Beira, enquanto os demais foram para um dos três pavilhões disponibilizados pela autarquia, mas que a dada altura ficaram lotados. Apesar de o fogo também ter andado próximo do Centro Paroquial de Seia, a instituição “esteve sempre a funcionar a 100 por cento”, isto “apesar de algumas colaboradoras estarem bastante preocupadas com as suas coisas, pois o incêndio andava nas zonas onde moram”, conta a diretora-técnica Vera Veríssimo. Para além de ter acolhido um idoso logo na noite de 15 de outubro e mais três famílias no dia seguinte, mais os utentes de Sazes da Beira, a instituição, juntamente com outras instituições do concelho (Fundação Aurora Ressurreição Coelho Borges, Centro Social da Quinta Monterroso, Associação Humanitária, Social e Cultural de Pinhanços, Cruz Vermelha e Santa Casa da Misericórdia de Seia) serviram as refeições para quem fora evacuado e estava nos pavilhões municipais. “Foi um grande esforço, porque algumas das instituições tinham elas também sido evacuadas, pelo que éramos menos no apoio à população”, lembra Vera Veríssimo, que viu a última família deixar a instituição quase três semanas após o sucedido. Já o senhor, de 72 anos, que tudo perdeu no incêndio e que fora realojado no Centro Paroquial de Seia logo na noite de 15 de outubro, vai preencher uma vaga na instituição, passando a utente da ERPI. Tal como em outros concelhos, instituições com valências residenciais forneceram ainda lençóis e cobertores para dar algum conforto a quem tinha sido evacuado e passou a noite nos recintos disponibilizados para tal. Mas muitas outras instituições foram autênticos portos de abrigo para as populações, lugares seguros onde as pessoas se refugiaram. Isto apesar de em algumas situações as perspetivas é que nem ali estariam seguras. Foi o que aconteceu em Midões, concelho de Tábua, distrito de Coimbra, com o Centro Social Caeiro da Matta a servir de oásis no deserto de chamas em que a freguesia se havia transformado. Já em Cambra, concelho de Vouzela, distrito de Viseu, o Centro Social foi o derradeiro refúgio para a população da vila, que numa primeira fase fugira para a Igreja Matriz, no seio do núcleo habitacional, mas que perante a proximidade das chamas tiveram que fugir, refugiando-se na IPSS. “Acolhemos aqui na instituição, que pela localização e pela própria construção afigura-se mais segura, cerca de 200 pessoas”, conta João Taborda, vice-presidente da instituição de Cambra, que depois de assegurar que todas as portas e janelas estavam vedadas para que o fumo não entrasse, foi ajudar a afastar o fogo de um depósito de gás junto a um restaurante no meio da vila. Também no Centro Social de Cambra houve uma família que acabou por pernoitar na instituição mais do que apenas a noite fatídica, sendo que alguns dos desalojados, entretanto alojados nos Maristas, passaram a frequentar o Centro de Dia da instituição. Em Midões, Beatriz Vitorino recorda a afluência de pessoas da aldeia para o equipamento da instituição, em fuga às chamas e desesperadas perante o cerco que o lume fazia à aldeia. “As pessoas apareciam à porta a pedir socorro e é claro que as acolhemos. Ainda abrigámos aqui mais de 100 pessoas”, conta, lembrando que se o fogo pegasse na instituição “seria uma desgraça”, porque “não havia por onde fugir”. «Vivemos momentos de grande aflição, porém, dentro do espírito de solidariedade que faz parte dos princípios subjacentes à existência desta instituição, conseguimos acolher todos os desprotegidos que nos procuraram. Acolhemos idosos, crianças, feridos, estrangeiros, animais, enfim todos aqueles que em pânico se socorreram da nossa ajuda”, pode ainda ler-se na página de Facebook do Centro Social Caeiro da Matta, numa mensagem que teve como principal intuito o descansar os familiares das pessoas que a instituição acolhe, muitos deles residentes no estrangeiro. A diretora-técnica do Centro Social Caeiro da Matta recorda ainda que abrigou as pessoas e foi, desesperada, ao quartel dos bombeiros de Vila Nova da Oliveirinha pedir ajuda, mas não havia recursos disponíveis. Aliás, já nem ela pôde regressar à instituição, pois a aldeia estava cercada pelo fogo. Era esperar que tudo corresse pelo melhor, pois o fogo aproximou-se de tal forma da instituição que destruiu alguns materiais de construção que estavam nas traseiras e que eram para as obras de ampliação que o equipamento está a sofrer. Aliás, a cerca de 50 metros da instituição arderam três casas de primeira habitação, uma delas de uma funcionária do Centro. Neste particular, a história mais trágica das instituições que o SOLIDARIEDADE visitou é a do Centro Social e Paroquial de S. Joaninho, em Santa Comba Dão, que perdeu um funcionário para as chamas, que ainda desalojaram duas funcionárias. “Fomos um porto de abrigo para a comunidade, que aqui se refugiou do fogo”, conta Elisabete Costa, diretora-técnica da instituição, referindo ainda que a grande preocupação foi não deixar que o fogo chegasse ao depósito de gás que está no exterior da instituição e por onde as chamas rondaram. “Temos acolhido as funcionárias e as suas famílias aqui na instituição, onde tomam refeições e fazem a higiene diária, e temos fornecido alguns alimentos a quem também ficou desalojado”, revela Elisabete Costa, que, volvidas quase três semanas, desabafa: “Só agora estamos a começar a voltar à normalidade, porque tem sido difícil a nível psicológico”. Também bastante fustigado com o fogo foi o concelho de Vagos, no distrito de Aveiro, um incêndio que se estendeu a Mira, já no distrito de Coimbra. A Associação de Solidariedade Social de Santo André de Vagos, preocupada com as sequelas que a tragédia pode deixar, alertou, via Facebook, os pais das crianças que frequentam a instituição para a importância de se estar “atento ao comportamento das nossas crianças, depois destes episódios traumáticos que passaram nos últimos dias”, estando a instituição disponível para fazer a ponte com as equipas multidisciplinares que a autarquia enviou para o terreno. Por outro lado, a instituição, através da sua loja social, está “a doar roupas e móveis, entre outras coisas, para as muitas pessoas que foram afetadas”, revela a diretora-técnica Virgínia Pinho, sublinhando: “No concelho de Vagos o fogo só não chegou a uma freguesia, todas as outras foram afetadas”. Em Oliveira do Hospital, o Centro Paroquial de Solidariedade Social de Santa Ovaia, apesar de evacuado, “por causa do fumo, porque apesar de o jardim ter ardido, as instalações nada sofreram”, explica a diretora-técnica Laura Santos, a instituição “acolheu um desalojado durante uma noite e tem trabalhado em articulação com a Junta de Freguesia em tudo o que é pedido”. Em resposta a esses pedidos, a instituição acolheu durante um fim-de-semana uma equipa de psicólogos que trabalharam na zona, para além de “recolher e distribuir bens a quem não se pode deslocar a Oliveira do Hospital” onde está a ser centralizada a ajuda às vítimas do concelho. Também em Monção o fogo não deu tréguas, tendo os lares de Merufe e de Barbeita, valências do Centro Paroquial e Social de Barbeita, sido evacuados por precaução, face ao intenso fumo. “Até ao momento nada nos foi pedido para ajudar, mas se nos pedirem, cá estaremos para ajudar, pois estas casas existem para isso mesmo”, assevera o padre Américo Alves, presidente da instituição, sintetizando o espírito que norteia as IPSS espalhadas pelo País. Apesar de algumas também terem sido vítimas indiretas dos incêndios, as IPSS estão desde a primeira hora na ajuda às comunidades que servem, fosse servindo de porto de abrigo no auge do incêndio, seja no apoio indireto às populações nos dias que correm, já que a coordenação desse apoio está centralizado nas autarquias. Prova disso é a mensagem deixada no Facebook pela Casa do Povo de Tábua: «A Casa do Povo de Tábua associou-se desde a primeira hora com a onda solidária para acolher as vítimas dos incêndios e continua obviamente pronta para ajudar no que for necessário, quer em termos logísticos (com a cedência da nossa carrinha) quer com os nossos recursos humanos”.


Publicada a 18 de novembro de 2017 às 17:34h
A ADIC encontra-se sem receber os montantes protocolados com o Instituto de Segurança Social desde julho passado. Estado atrasou verbas e algumas cantinas sociais cortaram refeições. A Segurança Social não transferiu verbas no Verão e algumas instituições interromperam a distribuição de comida. Agora, queixam-se de descida de 41 mil para 22 mil refeições antes de arranque de entrega de cabazes. A mudança de paradigma na ajuda alimentar está a ter consequências na mesa de algumas famílias carenciadas. O Instituto de Segurança Social esteve mais de três meses sem transferir verbas para a Rede Solidária de Cantinas Sociais e, nessa altura, houve instituições a interromper a distribuição de comida. Agora, o número de refeições vai cair para quase metade até ao final deste ano e a distribuição de cabazes ainda não começou. A Rede Solidária de Cantinas Sociais nunca foi pensada como uma solução permanente. Era uma resposta de emergência à crise que devia durar até ao final de 2014. Subsistiu. E as dúvidas sobre a sua continuidade instalaram-se com o passar dos tempos. Cabazes em vez de cantinasJá em janeiro deste ano, o governo anunciou o novo paradigma. Em vez de cantinas sociais, haveria distribuição de cabazes alimentares, que incluiriam peixe, carne e legumes congelados. O novo programa responderia às pessoas que têm capacidade e condições para conservar alimentos e cozinhá-los. As cantinas sociais manter-se-iam para as outras. No Compromisso de Cooperação para o Sector Social e Solidário para o biénio 2017-2018, assinado entre o Governo e a União das Misericórdias Portuguesas, a União das Mutualidades e a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), ficou assente que haveria um “perfil de diminuição do número de refeições” servidas em cantina social. A aplicação dessa metodologia teria início no segundo semestre, por altura da habitual renovação dos protocolos. No final de junho, ainda não era claro o que iria sobrar da Rede Solidária de Cantinas Sociais. A verba correspondente às refeições servidas deixou de ser transferida para as instituições parceiras. Muitas nem sabiam se a Segurança Social iria ou não assinar uma adenda aos textos iniciais dos protocolos. “Decorrente da mudança de paradigma, a intenção de proceder à assinatura das adendas de renovação com as instituições foi formalizada a partir da primeira quinzena de setembro”, admite o gabinete do ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Vieira da Silva. “Os pagamentos estão a ser efetuados, sendo que nos distritos em que a totalidade dos pagamentos ainda não se encontra regularizada o ISS está a trabalhar para normalizar a situação com brevidade”, refere ainda. O número de refeições servidas pela Rede Solidária de Cantinas Sociais já estava a diminuir de forma progressiva e neste semestre está a cair para metade. Em dezembro de 2014, no pico do programa, havia protocolo para 845 cantinas servirem 49 mil refeições diárias. Em dezembro de 2015, 42.500 mil. Em dezembro de 2016, 41.300. Agora, com estas 807 adendas que integram uma previsão de redução gradual ao longo de outubro, novembro e dezembro, ficar-se-á pelas 22 mil. Os indicadores socioeconómicos têm melhorado, o número de desempregados registados nos centros de emprego desceu para o valor mais baixo desde 2008. Há menos pessoas a precisar de ajuda alimentar, mas a diminuição da oferta decretada pela Segurança Social não corresponde à diminuição da procura verificada pelas instituições.


Publicada a 05 de novembro de 2017 às 17:00h
Mais de um milhão de portugueses dependentes em 2040 Estima-se que em 2040 mais de um milhão de portugueses sejam dependentes de outros, devido a problemas de saúde. Como forma de melhorar os cuidados domiciliários, a empresa portuguesa SWORDH Health cria um sistema digital para a reabilitação física. Hoje assinala-se o Dia do Cuidador e estima-se que, em Portugal, 900 mil pessoas sejam dependentes de outras, com fortes limitações no dia-a-dia, devido a problemas de saúde. Prevê-se que, dentro de 24 anos, este número passe a 1,1 milhões de pessoas dependentes.


Publicada a 05 de novembro de 2017 às 16:29h
Prazo para IPSS se candidatarem termina a 31 de dezembro São já muitas as IPSS que estão habilitadas a obter a consignação de 0,5% do IRS dos contribuintes, mas muitas há ainda que não e, a verdade, é que o processo de habilitação não é oneroso nem requer demasiados esforços. Assim, as pessoas coletivas de utilidade pública, como as Instituições Particulares de Solidariedade Social, as entidades inscritas no registo de pessoas coletivas religiosas (RPCR), as que prossigam fins de beneficência ou de assistência ou humanitários e as que desenvolvam atividades de natureza e interesse cultural (estas desde 2016), que queiram beneficiar da consignação da quota equivalente a 0,5 % do IRS liquidado aos sujeitos passivos deste imposto têm até 31 de dezembro do ano fiscal a que respeita a coleta a consignar. Ou seja, termina no final do ano o período de candidatura àquele benefício fiscal. Assim, desde que preencham os requisitos necessários e não tenham dívidas ao Estado ou execuções fiscais em curso, associações humanitárias de bombeiros voluntários, misericórdias, centros paroquiais, cooperativas, casas do povo, associações de reformados, associações de apoio a vítimas de doenças, associações de solidariedade social e também pessoas coletivas que desenvolvam atividades de natureza e interesse cultural podem candidatar-se a este benefício fiscal, sem que o contribuinte saia lesado no valor a que tiver direito a ser ressarcido pelo Estado. REQUISITOS Para poder estar habilitada ao benefício fiscal, a IPSS deve fazer prova junto da Autoridade Tributária e Aduaneira do seu registo como Instituição Particular de Solidariedade Social ou da obtenção do reconhecimento, pelo membro do governo que tutela a respetiva atividade, da prossecução dos fins relevantes para o efeito da aplicação da Lei da Liberdade Religiosa ou do reconhecimento da isenção de IRC, com fundamento no exercício de atividade com os mesmos fins, com caráter exclusivo, nos termos do art. 10.º do Código do IRC, consoante a sua natureza; e requerer o benefício da consignação de quota do IRS, nos termos da parte final do n.º 4 do art. 32.º da Lei da Liberdade Religiosa. Estas obrigações devem ser cumpridas até 30 de setembro próximo. Note-se que este procedimento só tem de ser feito no primeiro ano em que a instituição requer ser elegível. Apenas nos casos em que o interesse desapareça ou que não se reúnam as condições de elegibilidade que deverá haver informação por parte da instituição à Autoridade Tributária. Este é um benefício fiscal que nasceu com a publicação da Lei n.º 16/2001, de 22 de Junho, que regula a Liberdade Religiosa em Portugal, em que o contribuinte pode consignar parte da massa coletada pelo Estado (0,5%) em sede de IRS. Se inicialmente este benefício era pouco significativo para as entidades que o recebiam, com o correr dos anos e algumas alterações legislativas, a situação tem vindo a evoluir de uma forma muito favorável, tendo crescido em número de contribuintes que consignam, de entidades que beneficiam e do montante consignado. Há instituições que conseguem obter ganhos à volta dos 20 mil euros, sendo que, após a candidatura, a única tarefa requerida às instituições é a de sensibilizarem utentes e seus familiares, sócios e amigos, que por sua vez devem ser motivados a sensibilizar outras pessoas, a inscreverem o número de contribuinte da IPSS no local devido da declaração de IRS, doando assim parte do seu imposto, sem que dali retirem qualquer prejuízo financeiro. Refira-se ainda que durante muito tempo a impossibilidade de as IPSS poderem ser restituídas do IVA, a 100%, de obras no imobilizado e nas viaturas (uma de quatro em quatro anos), também afastou muitas IPSS deste benefício fiscal, pois não era permitido acumular os dois benefícios. Porém, esta situação foi alterada em 2009, passando a ser possível, a partir do ano seguinte, as IPSS beneficiarem da consignação de 0,5% de IRS e ainda da restituição do IVA, agora a 50%, das obras nos equipamentos e dos bens alimentares. Nesta altura houve ainda uma outra alteração que potenciou igualmente a adesão das instituições a este benefício fiscal, que foi o fim da renovação da candidatura, que era necessário fazer todos os anos, terminando também a obrigatoriedade de as entidades beneficiadas terem que comunicar às Finanças o destino da verba recebida. De facto, com as alterações legislativas e uma maior divulgação da possibilidade que o contribuinte tem de doar parte do imposto que pagou, sem qualquer prejuízo para o próprio, o crescimento desta realidade tem sido exponencial. Quando em 2004 eram apenas oito as entidades candidatas, em 2017 foram já 3.481. E este número tem vindo a crescer ao longo dos anos de forma expressiva: em 2009 eram 77; em 2010, 108; em 2011, pouco mais de 900; em 2012, 986; em 2013, 1.700; em 2014, 2.045; em 2015, 2.612; e em 2016 eram 2.971. Assim, esta pode igualmente ser uma fonte de receita, pontual é certo, mas sempre importante para um universo que vive sempre com os tostões contados.


Publicada a 31 de agosto de 2017 às 16:43h
1. O que quer que se faça nas Instituições de Solidariedade, seja ao nível dos processos de gestão, seja ao nível dos recursos humanos ou doutros recursos, não constitui um fim em si mesmo, mas sim instrumentos para atingir o fim último que deverá ser sempre a melhoria da qualidade dos serviços prestados às populações para quem se trabalha. Também se sabe que o bom desempenho destas organizações na consecução desse fim último é dificultado por algumas fragilidades, que são específicas da natureza de muitas delas: a) A insuficiência de incentivos externos (como, por exemplo, os vindos da exposição à concorrência no mercado) que as levem a um esforço contínuo de combate a ineficiências na sua gestão; b) Uma cultura organizacional onde justamente se valoriza o serviço em prol do bem comum, mas onde, muitas vezes, se olha com relutância para instrumentos de gestão “empresarial”, quando estes podem e devem ser bons instrumentos para esse serviço, sem o desvirtuar; c) A situação de exclusão social em que se encontra uma boa parte da população servida por estas organizações, o que dificulta a que venha daqui uma pressão construtiva para a melhoria do seu desempenho; d) As dificuldades crescentes de solvência das populações, destinatárias dos seus serviços, que geram dificuldades de viabilidade financeira das instituições e da sua sustentabilidade. e) A crescente exigência interna e externa de uma gestão de excelência e rigor face à escassez de recursos de todo o género. 2. Por estas razões, é importante que a melhoria do nível de qualificação dos dirigentes e pessoal ao serviço das Instituições de Solidariedade seja capaz de responder e implementar procedimentos de controlo de gestão e de auto-avaliação participados, de eficiência e eficácia na gestão, de auscultação regular das necessidades e do grau de satisfação das populações servidas e de prestação de contas, em suma uma gestão organizacional com sentido social. Para a obtenção destes objetivos é necessária a mobilização dos elementos dos órgãos sociais e ter colaboradores mais qualificados, empenhados e participativos. É também necessário encontrar estratégias de redução de custos, aumento da eficiência dos recursos disponíveis e e ainda de práticas de complementaridade entre Instituições. Também necessário se torna mobilizar os serviços públicos para o bom-senso em que a satisfação das pessoas se sobreponha sempre e em toda a parte à satisfação do próprio poder. Importante é a harmonização dos recursos disponíveis e de todos os serviços para corresponder às necessidades de todas as pessoas. Desenvolver as capacidades organizacionais das Instituições, tendo por referencial os Modelos de Avaliação da Qualidade das Respostas Sociais definidos pelo Instituto da Segurança Social, a implementação de um Sistema de Gestão de Qualidade e a introdução de medidas de gestão estratégica e operacional com vista à sustentabilidade, tem constituído uma das preocupações da CNIS. Sabe-se que para a implementação dos instrumentos atrás referidos dificilmente poderão ser alcançados “por geração espontânea”, deixando cada uma das Instituições de Solidariedade entregue a si própria, sem poder contar com estímulos e apoios externos. 3. Nesse sentido a CNIS tem vindo a fazer candidaturas, essencialmente de formação-ação, para colocar ao serviço das Instituições destinatárias desses projetos, sempre menos do que seria desejável, um conjunto de “facilitadores” e de “espaços de trabalho em comum” que possam ajudar os dirigentes e os colaboradores a dar os passos necessários no sentido de instituírem, de uma forma organizada e sustentável, que perdure para além do projeto, procedimentos internos de garantia de qualidade, da auto avaliação participada, da atenção às necessidades das populações servidas e de sustentabilidade. O aumento da qualificação dos trabalhadores e dos dirigentes, com vista a uma mudança organizacional que conduza a uma melhoria dos serviços prestados não só é importante como absolutamente necessária para garantir a sustentabilidade do setor social e solidário. Lino Maia


Publicada a 31 de agosto de 2017 às 16:29h
Atualize-se com as últimas noticias relacionadas com o Setor Social. Leia aqui as - NOTÍCIAS À SEXTA -, de 25.08.2017


Publicada a 17 de abril de 2017 às 10:40h
Boletim Informativo da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS). Procede à divulgação de orientações e informações de caracter executivo e financeiro de interesse para o Setor Solidário. Assume a participação na gestão dos diferentes Organismos, Comissões e Grupos de Trabalho no âmbito da Economia Social. Clique aqui para ler o Boletim Informativo de 07|04|2017


Publicada a 30 de março de 2017 às 9:05h
O investigador Lúcio Rapaz defendeu hoje a necessidade de criar uma estratégia na economia social, para "tornar mais forte" e "mais capaz" o terceiro setor, que emprega mais de 260 mil trabalhadores e representa 3,8% do PIB. Lúcio Rapaz, autor do livro "Estratégia & Gestão Estratégica na Economia Social - A Utopia Portuguesa", que é hoje apresentado em Lisboa, constatou, ao longo dos 12 anos em que lidou com mais de 20 organizações sem fins lucrativos, que não existe uma gestão estratégica no terceiro setor. Com o livro, o economista pretende chamar a atenção que, "quanto mais fortes as organizações forem individualmente, mais forte será o setor como um todo". Neste momento, o terceiro setor "necessita de um apoio não só a nível de políticas eficazes, mas necessita que o país pense sobre ele mesmo", disse à agência Lusa Lúcio Rapaz. "Estamos a falar de um setor que é chamado quando o público e o privado fracassam, onde não chegam ou chegam tarde", disse, explicando que este setor se "distingue dos outros pelo reinvestimento dos excedentes" e porque "está no terreno, próximo sobretudo daqueles que mais necessitam". O investigador destacou à Lusa "a dimensão" e o "peso extremamente significativo" da economia social, constituída por mais de 55 mil organizações, que representa 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB), constitui 5,5% do emprego remunerado em Portugal e envolve mais de 14 mil milhões de euros em recursos financeiros Fazem parte deste setor associações, instituições particulares de solidariedade social, mais de 2.000 cooperativas, mais de 500 fundações, quase 400 misericórdias e 120 mutualidades, sendo que mais de metade destas organizações está ligada à cultura, ao desporto e ao lazer e cerca de 30% são organizações de culto e congregações. Perante esta realidade, Lúcio Rapaz defendeu ser "muito importante que o setor seja efetivamente pensado e que se traga a questão da estratégia na economia social para a ordem do dia", para que a economia social possa avançar de uma "forma ainda mais capaz". O livro divulga os resultados de um estudo, que envolveu 14 organizações que caracterizam horizontalmente a Economia Social Portuguesa, e constatou "a falta de coordenação" entre as instituições e a falta de uma estratégia e gestão estratégica neste setor. "A utopia portuguesa reside exatamente no facto de este mesmo setor ser constituído por organizações, que labutam diariamente a duas velocidades" ou realidades, disse Lúcio Rapaz. Por um lado, há um grupo que tem "um reduzido acesso às técnicas eficazes" e caracteriza-se por "uma gestão deficiente e sem capacidade de prever o futuro, com uma estratégia pensada ano a ano, quando é pensada". Mas, por outro lado, existe outro grupo (fundações, mutualidades) que "está munido das referidas técnicas" tem um "'know-how' específico" e é dotado de meios financeiros. Neste grupo, já existe uma gestão estratégica que "antecipa eficazmente o futuro, cumprindo o seu dever de forma plena", disse o investigador. O livro conta com o prólogo de Guilherme d'Oliveira Martins, com o prefácio de Adriano Moreira e posfácio do cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente.


Publicada a 21 de março de 2017 às 17:27h
Boletim Informativo da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS). Procede à divulgação de orientações e informações de caracter executivo e financeiro de interesse para o Setor Solidário. Assume a participação na gestão dos diferentes Organismos, Comissões e Grupos de Trabalho no âmbito da Economia Social. Clique aqui para ler o Boletim Informativo de 17|03|2017


Publicada a 06 de março de 2017 às 13:09h
O Presidente da República recebeu esta sexta-feira os responsáveis pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social, no Antigo Museu Nacional dos Coches, e afirmou que construção do Estado social em Portugal passa pelo “fortalecimento” das IPSS. Marcelo Rebelo de Sousa disse que a rede das instituições que integram a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) “é essencial para o país, não pode ser bloqueada ou esvaziada ou minimizada”, não tanto do “por razões ideológicas”, mas “por contingências financeiras”. “Isso seria querer Estado Social e por outro lado não criar condições para o Estado Social”, referiu o presidente da República. “A construção do Estado social no nosso país passa pelo vosso fortalecimento”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa na comunicação que dirigiu aos líderes das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Após a comunicação do presidente da CNIS, padre Lino Maia, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que as IPSS têm “o papel mais importante no sistema nacional de solidariedade social”. O presidente da República sublinhou o “papel histórico” das IPSS, “enraizado nas populações”, que se foram conseguindo “reajustar e adaptar aos desafios dos sucessivos tempos” e que são “mais importantes que o Estado, as Regiões Autónomas, as autarquias locais” nos sistemas de proteção social. “Não fora o vosso contributo e o que teria sido a crise económica e social ao longo das décadas da vida democrática, nomeadamente na última crise nestes recentes quatro ou cinco anos”, interrogou Marcelo Rebelo de Sousa. O presidente da República sublinhou que as IPSS são “imprescindíveis e insubstituíveis” e disse que o “debate doutrinário” “não merece preocupação” porque, no confronto com a realidade, “se sobra no primeiro minuto da sua formulação”. Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que as IPSS não enfrentam o desafio da “credibilidade em termos pessoais e comunitários”, mas o da “sustentabilidade”. “O problema não reside no vosso enraizamento, na vossa legitimação comunitária, mas na disponibilidade de meios para o cumprimento das missões”, acrescentou o presidente da República, referindo que o Estado Social constrói-se todos os dias e “exige um esforço conjunto” entre as IPSS e a intervenção das entidades públicas. “É uma concertação constante, uma convergência permanente e inevitável”, que merece sempre a atenção do presidente da República, manifestada por exemplo no último acordo de concertação social. “Acompanho com atenção - e devo dizer com esperança - a convergência que tem existido, nomeadamente nos últimos tempos, com o Governo em matéria de solidariedade social, porque é uma convergência que tem de ser negociada ano a ano”, afirmou. “Vejo com esperança os passos que estão a ser dados no sentido de ser possível proporcionar às vossas instituições meios financeiros que permitam meios técnicos, meios materiais, recursos humanos, sem os quais o cumprimento das vossas atribuições não é possível ou é mais difícil”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa A receção do presidente da República aos responsáveis pelas IPSS decorreu no Antigo Museu Nacional dos Coches e incluiu um concerto do fadista Carlos do Carmo.


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